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06/02/2009

Sobre a crise... III

Trabalho directamente com muitos jornalistas, há alguns anos, e nunca, como agora, recebi tantos e-mails a anunciar mudanças, saídas, novos projectos como freelancers a escreverem sobre tudo e mais alguma coisa.

E ainda fico a fazer uma reflexão: isto vai reflectir-se na nossa actividade, porque vivemos de redes de contactos.

05/02/2009

Sobre a crise... II

Ainda sobre o tema do post abaixo:
Há um mês e pouco que, por motivos que agora não interessam nada para aqui, uma pessoa muito próxima "faz vida" em minha casa. Só não dorme lá.

Come de e lá.
Toma banho lá.
A sua roupa é lavada e engomada lá.

E eu já tinha pensado que até nem dá muita despesa.

Bem, mais ou menos... passámos a gastar o dobro em gás, esquece-se (algumas vezes) do aquecedor da casa de banho ligado e faço, pelo menos, quatro máquinas de roupa por semana que, graças à merdinha de tempo que tem estado, acaba toda na secadora.

Mas ajuda-me. Não voltei a pagar nenhuma bilha de gás. Uma ou outra vez paga as compras do supermercado ou metade quando grunho "eu é que pago as minhas contas" e continua a fornecer-me internet sem fios, com pouca velocidade, mas gratuita, eheheh.

Deixa umas quantas coisas fora do sítio, diz que eu perco-lhe as meias todas (grumpf, só se é a máquina que as come!!!), insinua que todas as semanas eu mudo as coisas de sítio e nunca sabe de nada e esquiva-se a lavar a loiça que usa se eu tiver nem que seja um copo no lava-loiças. Ah, e chega tarde!!! Muito tarde!!! E eu zango-me e refilo. pois claro, que ele já devia saber que aquela hora eu tenho um bocadinho de mau feitio, principalmente se a Maria ainda não estiver a dormir.

Ah, mas leva-me o lixo para baixo!
Ah, mas vai buscar o gás sem refilar muito ("para poupar um kg de gás deixaste de usar pluma, e isto é um absurdo de peso").
Ah, mas faz recados de última hora!
Ah, mas eu gosto (mais ou menos) de tratar dele.
Ah, e ofereceu a TV que veio substituir a que avariou!

Ah, e nos dias em que eu e a neta comemos peixe ele come restos ou sandes, porque eu recuso-me a cozinhar duas refeições e ele também tem mãozinhas para o fazer.

Hum... já vi que o balanço é positivo, por causa da crise e por eu ser "galinha". Mas... será que ele acha o mesmo???

É bem feita, que é para ver se não se esquece de como é que é viver com uma mulher (e meia dose de outra, que se já estiver com sono pura e simplesmente o ignora) e não se lembra de se casar outra vez!

Sobre a crise...

Na minha profissão tenho que estar muito bem informada, pelo que além das revistas possíveis e imaginárias (sabiam que há uma revista que se chama Aves e Ovos???) também leio os jornais do dia.

Desfolhar os jornais nas últimas semanas é uma angústia: despedimentos aqui, suspender produções ali, fraudes acolá... e só se fala em crise, crise e mais crise.
Continuo a manter a minha opinião em como há um histerismo muito grande à volta da dita "crise" em Portugal em que, como sempre, se age por antecipação, pelo que "não vamos admitir ninguém, por causa da crise", "não vamos dar aumentos, por causa da crise", "não vamos renovar contratos a termo certo, por causa da crise", "quer gozar as horas de amamentação? Mas sabe, com esta crise precisamos do esforço de todos", blablabla.

Tenho ouvido vários testemunhos de amigos e familiares nesse sentido.

Mas este fim-de-semana, ao ouvir a minha mãe, acerca da crise, pois claro (tínhamos vindo três mulheres do supermercado) e escutei-a com muita atenção, quando disse qualquer coisa parecida com o facto do universo ter desígnios que nem sempre compreendemos à primeira, mas que esta crise talvez surja para nos fazer voltarmo-nos novamente para a família, retrocedendo aos tempos em que viviam três gerações na mesma casa (avós, pais e filhos) para se conseguir viver de forma minimamente confortável e não faltar comida na mesa.

Fiquei a pensar nisto.

Bem, a pensar, só... porque eu e a minha mãe a vivermos na mesma casa seria uma ameaça ao sossego das outras pessoas! :)

Mas partilhar carro, casa, electricidade, aquecimentos, água, TV Cabo, Internet, telefones e por aí fora... já pensaram quanto é que poupávamos todos só aí?

Além de ganharmos em espírito de união, partilha de experiências entre gerações, os mimos dos avós aos filhos, organização e distribuição de tarefas, e por aí fora.

Será que em vez de vivermos todos virados para o nosso umbigo devíamos voltar a aprender a viver em família?